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O ruído do facão

Vânia Paula dos Santos

"Como animais selvagens atacando a presa, assim se puseram os homens à mesa. Lampião acomodou-se na esteira. Parecia ter medo da mulher. Cada vez que a olhava, a lembrança da mãe morta na infância invadia-lhe a alma, deixando-a ainda mais seca"

O ruído do facão

Vânia Paula dos Santos

R$ 15,00

ano: 2008

nº páginas: 96

formato: 10,5 x 17 cm

ISBN 9788561530013

O ruído do facão

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Artesã da memória

Em “O Ruído do Facão”, um dos primeiros lançamentos da nova editora Luzes no Asfalto, a jovem contista paulista Vânia Paula dos Santos resgata histórias vividas por seu pai no sertão alagoano.

 Menino em Anadia, no sertão alagoano, na década de 1940, o pai de Vânia Paula dos Santos conheceu a realidade crua da seca e da fome, mas, felizmente, não lhe faltaram afeto nem lições de sabedoria na casa de seu avô, o Seu Panema. Já vivendo em Suzano, na Grande São Paulo, onde Vânia nasceu há 27 anos, contou para a menina as histórias de sua infância e também aquelas que seu avô lhe contava. A força desses relatos permaneceu na memória da jovem, que agora as põe no papel com invejável vivacidade, pleno domínio de narrativa e bastante poesia em “O Ruído do Facão”, um dos livros que inauguram a editora Luzes no Asfalto.

São seis contos seguidos, cada um, por um pequeno poema, que encantam o leitor imediatamente, a começar por “Justiça Negra: Recontando Lampião” – o único episódio do qual nem seu pai nem seu bisavô tomaram parte - , em que o herói dos cangaceiros, terror dos sertanejos, se mostra sob um prisma mais humano, embora não despido de todo de sua característica crueldade.

Em “Fogão Jacaré”, um menino de menos de dez anos, ele sim um herói de verdade, fica fascinado ao ver, pela primeira vez, um “fogão mágico” trazido da cidade grande, que funciona sem lenha.

Traquinagens típicas de moleques – como roubar frutas da árvore do vizinho – e uma situação de extremo perigo passada no meio do mato, mescladas a uma declaração de amor à terra e à família estão em “O Ruído do Facão”, no qual a figura de Seu Panema aparece com toda a sua grandeza.

A afeição e o sentimento de amizade e respeito pelos bichos domésticos é o tema de “Roxinha”, a dócil e ágil égua da fazenda onde mora o menino e a quem ele dedica cuidados especiais.

A égua aparece também no conto seguinte, “Fé”, no relato de uma assustadora tempestade enfrentada pelo menino e pelo avô a caminho do pequeno povoado perto da fazenda, durante a qual Roxinha fica atolada e pode morrer. Num trecho de mata longe de tudo, onde não há a quem recorrer para pedir ajuda, ela acaba salva por um verdadeiro milagre.

Já “Morte Seca” dá conta da breve vida do avô paterno da menina, envelhecido antes do tempo pelo duro trabalho, preocupado com os quatro filhos pequenos e com a mulher, amorosa e intuitiva, que ocupam seus últimos pensamentos.

Escrever é um talento inato de Vânia Paula dos Santos, que é artesã há dez anos e diz que a literatura foi sempre seu refúgio. Aos 13 anos, ela obteve o segundo lugar no primeiro concurso de poesia de que tomou parte; aos 25, publicou o primeiro conto. Este é seu primeiro livro.